Maria Eunice Quilici Gonzalez - artigos


A virada informacional na Filosofia: alguma novidade no estudo da mente?

* em colaboração

com Mariana Broens e

João Antonio de Moraes


Analisamos o conceito de informação a partir da hipótese de Adams em The informational turn in Philosophy, segundo a qual ocorreu na década de 1950 “uma virada de grande abrangência na Filosofia” com a publicação do artigo de Turing “Computing Machinery and Intelligence”. Adams sustenta que novos rumos estariam sendo delineados na pesquisa filosófica tendo como base o conceito de informação no tratamento de questões clássicas, tais como o problema da relação mente-corpo, percepção-ação, a natureza do conhecimento, dentre outros. Concordando parcialmente com Adams, julgamos, entretanto, que sua hipótese enfrenta dificuldades, sendo a mais fundamental delas concernente aos diversos significados atribuídos ao termo “informação”.  Argumentamos que ainda que o conceito de informação subjacente à proposta mecanicista de Turing, segundo a qual “pensar é computar”, esteja sendo empregado na Filosofia, isso ocorre não por seu teor mecanicista, mas, principalmente, pelo pressuposto representacionista vigente nessa área. Nesse sentido, a virada informacional na Filosofia não seria inovadora, uma vez que desde os seus primórdios a reflexão filosófica sobre a natureza da mente se apoia no pressuposto representacionista. A novidade residiria não especificamente na proposta de Turing, mas nas reflexões sobre a natureza da informação, especialmente da informação ecológica, e de sua relação com a ação.


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Informação e conhecimento: notas para uma taxonomia da informação

* em colaboração com

Thiago Carreira Al. Nascimento 

e Willem F. G. Haselager 


Vivemos na era da informação, mas sabemos pouco sobre a sua natureza ontológica e epistemológica. Em contraste com o conceito de conhecimento, cujo estudo permeia a história da Filosofia e da Ciência, o conceito de informação passa a ser objeto de estudos sistemáticos apenas nos meados do século XX. No ocidente, sua origem pode ser encontrada nas idéias de Hartley (1928) e Szilard (1929/1972), em especial nas suas reflexões sobre a segunda lei da Termodinâmica. Tais reflexões possibilitaram a formulação de hipóteses sobre a natureza da informação em termos da relação entre ordem e desordem de um sistema no âmbito da comunicação. Idéias semelhantes foram posteriormente desenvolvidas por Shannon e Weaver (1949/1998), as quais se propagaram rapidamente em diversas áreas do conhecimento, com resultados geralmente diversos. O objetivo central deste capítulo é elaborar um mapa conceitual das principais abordagens filosófico-científicas do conceito de informação, que possibilite uma classificação de suas principais vertentes. [...]

Atualmente, a pluralidade de concepções sobre a informação não somente está relacionada aos fins para os quais elas se desenvolvem (em termos de explanação teórica e prática), como também às bases a partir das quais elas se erigiram. Entendemos que a ausência de uma taxonomia comum a respeito da natureza da informação dificulta o diálogo interdisciplinar e gera, muitas vezes, equívocos no tratamento de questões ligadas à relação sujeito/conhecimento e informação. Com o objetivo de facilitar o diálogo interdisciplinar no estudo de questões que envolvem o tópico da informação, apresentamos, na Parte I deste capítulo, um breve histórico do conceito de informação, seguido de uma análise desse conceito no viés da clássica teoria matemática da comunicação. Na Parte II, apresentamos as principais hipóteses constitutivas da vertente que denominamos Epistemológica e Ontológica da Informação, a qual fornece subsídio para a nossa proposta de desenvolver uma taxonomia da informação. A partir dessa taxonomia, propomos uma definição do conceito de informação que julgamos reunir as principais características dos processos autoorganizados, tal como caracterizados por Debrun (1996), Haken (1983), Haken e Wunderin (1990) e Gonzalez (1996). Segundo essa definição, a informação não é uma entidade, coisa ou substância mas, sim, um processo auto-organizado que permite o estabelecimento de padrões de ação para organismos situados em ambientes governados por relações compartilhadas de ordem. Argumentamos que essa definição pode nos auxiliar na compreensão da natureza de aspectos do conhecimento comum.


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Ubiquitous Compunting: any ethical implications?


*em colaboração com 

J. A. Quilici-Gonzalez, 

G. Kobayashi e 

Mariana Broens



In this article, the authors investigate, from an interdisciplinary perspective, possible ethical implications of the presence of ubiquitous computing systems in human perception/action. The term ubiquitous computing is used to characterize information-processing capacity from computers that are available everywhere and all the time, integrated into everyday objects and activities. The contrast in approach to aspects of ubiquitous computing between traditional considerations of ethical issues and the Ecological Philosophy view concerning its possible consequences in the context of perception/action are the underlying themes of this paper. The focus is on an analysis of how the generalized dissemination of microprocessors in embedded systems, commanded by a ubiquitous computing system, can affect the behaviour of people considered as embodied embedded agents.



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Informação e significado: os limites do naturalismo representacional dretskeano

* em colaboração com

Juliana Moroni


Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo da relação entre informação, percepção e significado no contexto do Naturalismo Representacional proposto por Dretske (1995). Procuramos mostrar que essa relação é estudada a partir de uma concepção externalista da percepção dos organismos que focaliza os aspectos dinâmico e coletivo da percepção. Os problemas decorrentes do pressuposto representacional dretskeano e os limites do seu naturalismo tambémconstituirão objeto de reflexão deste trabalho.



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Dretske e o problema dos qualia

* em colaboração com 

João Antonio de Moraes


Este artigo tem por objetivo apresentar e discutir a sugestão de Fred Dretske (1995) para analisar o problema dos qualia. Tal problema, caro à Filosofia da Mente, ficou conhecido pela discussão desenvolvida por Thomas Nagel em seu clássico artigo What is it like to be a bat. Nesse artigo, Nagel (1974) postulou a impossibilidade de se conhecer, em perspectiva de terceira-pessoa, os aspectos da experiência humana. Ele considera que, mesmo após as descrições objetivas da experiência de um sujeito, escapariam ainda aspectos qualitativos, fundamentais para se caracterizar os qualia. A partir de sua Tese Representacionista da mente, Dretske argumenta que seria possível dissolver esse problema se admitirmos que a mente é a face representacional do cérebro, a natureza dos qualia seria, assim, representacional. Nesse contexto, os fatos mentais relacionados às experiências seriam fatos representacionais: se conhecermos a natureza desses fatos representacionais conheceremos também a experiência do sistema que a representa. Diante de tal entendimento, discutimos em que medida a proposta dretskeana constitui (ou não) uma alternativa ao problema dos qualia.Este artigo tem por objetivo apresentar e discutir a sugestão de Fred Dretske (1995) para analisar o problema dos qualia. Tal problema, caro à Filosofia da Mente, ficou conhecido pela discussão desenvolvida por Thomas Nagel em seu clássico artigo What is it like to be a bat. Nesse artigo, Nagel (1974) postulou a impossibilidade de se conhecer, em perspectiva de terceira-pessoa, os aspectos da experiência humana. Ele considera que, mesmo após as descrições objetivas da experiência de um sujeito, escapariam ainda aspectos qualitativos, fundamentais para se caracterizar os qualia. A partir de sua Tese Representacionista da mente, Dretske argumenta que seria possível dissolver esse problema se admitirmos que a mente é a face representacional do cérebro, a natureza dos qualia seria, assim, representacional. Nesse contexto, os fatos mentais relacionados às experiências seriam fatos representacionais: se conhecermos a natureza desses fatos representacionais conheceremos também a experiência do sistema que a representa. Diante de tal entendimento, discutimos em que medida a proposta dretskeana constitui (ou não) uma alternativa ao problema dos qualia.


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O conceito de informação no contexto da teoria da auto-organização

* em colaboração com

Juliana Moroni


Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo do conceito de informação nocontexto da teoria da auto-organização, mostrando a sua relevância para a Filosofia Ecológica eFilosofia da Mente. Procuramos caracterizar a informação como um processo de auto-organização, sendo este, por sua vez, definido segundo Debrun (1996) e Gonzalez (1998; 2004)como um processo de desenvolvimento espontâneo de organizações através da interação entreelementos distintos que constituem um sistema dinâmico e complexo. Nesse sistema, oselementos se encontram e interagem, originando novas formas de organização, sem que haja a presença de um centro controlador absoluto. Ele-mentos causais ou interacionais que iniciam o processo auto organizado são, em parte, responsáveis pelo direcionamento desse processo emum novo contexto. Ressaltamos que para Debrun, a interação entre os elementos é a base centraldo processo de auto-organização; a maneira como os elementos interagem entre si subdivide aauto-organização em duas etapas, quais sejam: a) primária e b) secundária.

A auto- organização primária se caracteriza, basicamente, pela interação predominante de elementos realmentedistintos e ausência de memória. Já a auto-organização secundária é definida como interaçõesentre elementos distintos e semi-distintos que, através de processos de aprendizagem evoluem para patamares superiores de complexidade. Nesse contexto objetivamos mostrar as implicaçõesda Teoria da Auto-Organização para o estudo da informação no contexto da ação, bem como arelação entre informação, auto-organização e conhecimento.


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The Importance of Sensing One’s Movements in the World for the Sense of Personal Identity


*em colaboração com

Willem Ferdinand Geradus Haselager

e Mariana Broens


Within philosophy and cognitive science, the focus in relation to the problem of personal identity has been almost exclusively on the brain. We submit that the resulting neglect of the body and of bodily movements in the world has been detrimental in understanding how organisms develop a sense of identity. We examine the importance of sensing one’s own movements for the development of a basic, nonconceptual sense of self. More specifically, we argue that the origin of the sense of self stems from the sensitivity to spontaneous movements. Based on this, the organism develops a sense of “I move” and, finally, a sense of “I can move”. Proprioception and kinesthesis are essential in this development. At the same time, we argue against the traditional dichotomy between so-called external and internal senses, agreeing with Gibson that perception of the self and of the environment invariably go together. We discuss a traditional distinction between two aspects of bodily self: the body sense and the body image. We suggest that they capture different aspects of the sense of self. We argue that especially the body sense is of great importance to our nonconceptual sense of self. Finally, we attempt to draw some consequences for research in cognitive science, specifically in the area of robotics, by examining a case of missing proprioception. We make a plea for robots to be equipped not just with external perceptual and motor abilities but also with a sense of proprioception. This, we submit, would constitute one further step towards understanding creatures acting in the world with a sense of themselves.


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Complexity and information technologies: an ethical inquiry into human autonomous action


* em colaboração com

José Artur Quilici-Gonzalez, 

 Mariana Claudia Broens 

Guiou Kobayashi



In this article, we discuss, from a complex systems perspective, possible implications of the rising dependency between autonomous human social/individual action, ubiquitous computing, and artificial intelligent systems. Investigation is made of ethical and political issues related to the application of ubiquitous computing resources to autonomous decision-making processes and to the enhancement of human cognition and action. We claim that without the feedback of fellow humans, which teaches us the consequences of our actions in real everyday life, the indiscriminate use of ubiquitous computing in decision-making processes seems to be beyond the reach of any clear ethical control. We argue that the complex systems perspective may help us to foresee possible long-term consequences of our choices, in areas where human autonomous action can be directly affected by informational technologies.In this article, we discuss, from a complex systems perspective, possible implications of the rising dependency between autonomous human social/individual action, ubiquitous computing, and artificial intelligent systems. Investigation is made of ethical and political issues related to the application of ubiquitous computing resources to autonomous decision-making processes and to the enhancement of human cognition and action. We claim that without the feedback of fellow humans, which teaches us the consequences of our actions in real everyday life, the indiscriminate use of ubiquitous computing in decision-making processes seems to be beyond the reach of any clear ethical control. We argue that the complex systems perspective may help us to foresee possible long-term consequences of our choices, in areas where human autonomous action can be directly affected by informational technologies.


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